domingo, 17 de abril de 2016
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Labirinto
1.Teseu
O que aprendi foi
o dever, a história, a justiça.
Não precisava de mais,
mas de outra coisa.
Conhece os nomes das coisas viventes:
mineral,fungo,flor,
o ser alado. Estes nomes não são a própria vida,
são um fio que pode guiar-te
a partir do labirinto onde para ela nasceste.
2. Minotauro
Não deves nem podes matar
o teu Minotauro; deves sim pegar
na sua maciça e encanecida mão
e guiá-lo para a luz.
Não será culpa tua
se a noite escurecer os portões
quando ambos surgirdes.
3. Ariadne
Por que a abandonaste
por outras teias, outras margens?
Ela salvou-te, puxou-te do teu mar,
desse degrau de pedra para a tua solidão.
David Watson
O que aprendi foi
o dever, a história, a justiça.
Não precisava de mais,
mas de outra coisa.
Conhece os nomes das coisas viventes:
mineral,fungo,flor,
o ser alado. Estes nomes não são a própria vida,
são um fio que pode guiar-te
a partir do labirinto onde para ela nasceste.
2. Minotauro
Não deves nem podes matar
o teu Minotauro; deves sim pegar
na sua maciça e encanecida mão
e guiá-lo para a luz.
Não será culpa tua
se a noite escurecer os portões
quando ambos surgirdes.
3. Ariadne
Por que a abandonaste
por outras teias, outras margens?
Ela salvou-te, puxou-te do teu mar,
desse degrau de pedra para a tua solidão.
David Watson
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
"Cama de Pregos"
"Lê-se na descrição de Apostolakis sobre a entrada de Cristo em Jerusalém o seguinte trecho: O Homem mantinha-se alheio à confusão e o seu sorriso era como andar sobre as águas. A túnica e os cabelos compridos davam-lhe um certo ar de pescador de almas gerado sem pecado. Montava um animal modesto, mostrando que a vida é uma coisa sublime em cima de um burro. Sempre achei esta frase enternecedora e capaz de tornar-se epitáfio: a vida é um burro montado por algo sublime. Mas a verdade é que tenho uma ideia menos optimista da vida. Apesar de concordar com Apostolakis - e achar que a nossa razão anda montada em cima da irracionalidade - , é o modo de estar de Miroslav Bursa que mais me fascina: A vida é uma massagem nas costas dada em cima de uma cama de pregos."
(Afonso Cruz, em "Enciclopédia Da Estória Universal"; apud Theofilaktos Pireotis, "Vidas")
domingo, 24 de janeiro de 2016
Bukowski com sotaque
"Sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava."
sábado, 2 de janeiro de 2016
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
A casa de Dali
Propuseram me construir uma casa para alguém que não eu, um ser sem propósito, ou com demasiado.
Inconscientemente consciente de uma realidade própria, diferente do que estamos habituados, se é que estamos habituados a alguma. Um ser distante de sentido e forma, presente apenas naqueles sonhos irreais e imaginários, despegados da vida mundana em que nos sustemos, recheados de mistérios e verdades que nos ultrapassa.
Num tempo interregno, desconcertante no sentido como reconforta a alma e simultaneamente a corrompe, num ciclo inevitável de conclusões ilusórias, pressupostos errados e sensações desviantes. Chamam-lhe pelo nome mas poucos o sabem, como eu, desatentos ao que realmente importa ou demasiados focados no inevitável perder que a vida lhe implica.
Tempo onde a chuva, o vento, e o sol ainda não foram inventados, numa dicotomia constante entre o que a arquitectura é e o que deveria ser.
Sentaria-me aqui numa calma manha, uma daquelas manhas manhas onde o tempo avança lentamente, onde o sol segue o seu caminho silencioso, não fosse ele brilhar e ninguém dava por ele. Aqui ficaria a pensar nesse mesmo tempo, a ver se chega o tempo. O tempo de onde se deixa de ver chegar o tempo mas o tempo chega sem se ver chegar.
Na procura de uma essência própria, a mais verdadeira e a mais distante de nos, a única desprovida de consciência, a única verdadeiramente falsa. Assim resta nos assumir a mentira.
"Viver aqui seria como acordar na Rússia e só saber falar espanhol, ter as pernas viradas ao contrario e abrir portas a cabeçada."
Inconscientemente consciente de uma realidade própria, diferente do que estamos habituados, se é que estamos habituados a alguma. Um ser distante de sentido e forma, presente apenas naqueles sonhos irreais e imaginários, despegados da vida mundana em que nos sustemos, recheados de mistérios e verdades que nos ultrapassa.
Num tempo interregno, desconcertante no sentido como reconforta a alma e simultaneamente a corrompe, num ciclo inevitável de conclusões ilusórias, pressupostos errados e sensações desviantes. Chamam-lhe pelo nome mas poucos o sabem, como eu, desatentos ao que realmente importa ou demasiados focados no inevitável perder que a vida lhe implica.
Tempo onde a chuva, o vento, e o sol ainda não foram inventados, numa dicotomia constante entre o que a arquitectura é e o que deveria ser.
Sentaria-me aqui numa calma manha, uma daquelas manhas manhas onde o tempo avança lentamente, onde o sol segue o seu caminho silencioso, não fosse ele brilhar e ninguém dava por ele. Aqui ficaria a pensar nesse mesmo tempo, a ver se chega o tempo. O tempo de onde se deixa de ver chegar o tempo mas o tempo chega sem se ver chegar.
Na procura de uma essência própria, a mais verdadeira e a mais distante de nos, a única desprovida de consciência, a única verdadeiramente falsa. Assim resta nos assumir a mentira.
"Viver aqui seria como acordar na Rússia e só saber falar espanhol, ter as pernas viradas ao contrario e abrir portas a cabeçada."
domingo, 22 de novembro de 2015
isto sim, é semântica.
na generalidade do tempo somos um grupo de gente que não sabe que "prazer" é um verbo. Ignorado e limitado a coisa rara de substantivo abstrato, o prazer mandou-nos foder a todos. O que não anda conjugado na boca do povo raramente lhe anda na alma.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
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