domingo, 23 de agosto de 2015

Já uma vez te propuz matarmo-nos ambos, para penetrarmos mais depressa noutro mundo que adivinho esplêndido. Matarmo-nos não por horror à vida, mas por amor à vida. A outra vida maior. E não só por isso: para ver a tua alma na sua completa nudez. 

raul brandão, és como o ar que respiro

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Agosto 2015

Com a ponta dos dedos, ele alisava-lhe os cabelos que depois voltavam a encaracolar. E isso resumia quase tudo.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

entre aspas 3

"acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus.
e é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, a solidão aberta onde tu não passas.
meu amor, amor de uma breve madrugada de bandeiras, arranco a tua boca da minha e desfolho-a lentamente, até que outra boca - e sempre a tua boca - comece de novo a nascer a minha boca.
que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e perguntar o que aconteceu."

eugénio de andrade